Linha do Tempo

1515 - Os Antigos Caminhos da Serra ao Planalto

 

Muitos caminhos foram feitos e percorridos, por índios e portugueses para o desenvolvimento do Brasil, o mais antigo que se tem notícia é o mítico Caminho do Peabiru, que ligava os oceanos Atlântico e Pacífico, em uma rota comercial que ligava o litoral paulista ao Peru.

Os portugueses adentravam ao sertão por caminhos e rotas já traçados pelos índios, mas em sua maioria esquecidos (diante a falta de registros oficiais), até mesmo para a fundação da Vila de Santo André e São Paulo, já havia um caminho de subida da serra, a trilha dos Tupiniquins (também chamada de Caminho de Paranapiacaba e Caminho de Piaçaguera), há registros das péssimas condições deste caminho diante das chuvas e das condições íngremes do terreno.

Era constantemente recomendado aos portugueses evitar sua utilização, pois a área era povoada pelo índios Tupinambás, famosos por suas práticas canibais, sendo que somente tinha livre transito por este caminho João Ramalho e seus seguidores de Santo André – ou talvez fosse o medo uma forma de coibir a subida da serra e a dispersão da exígua população dos colonizadores (?).

Assim, por volta de 1550, foi traçado na serra outro caminho, que foi denominado Caminho do Padre José (em homenagem ao Padre José de Anchieta), este também pelas chuvas da região e pelo transporte de produtos para abastecimento, sofria com os buracos e erosão (história que conhecemos até hoje).

O Caminho do Padre José foi totalmente recuperado e limpo em uma troca de pena realizada, pelo vereador de Santo André, João Pires Gago que açoitou um escravo até a morte, ao invés da prisão recuperou o caminho às suas expensas. Por este caminho o transporte era feito predominantemente no lombo de escravos a subida da serra demorava 3 dias.

O Caminho do Padre José foi a principal ligação entre o litoral (Santos São Vicente) e as Vilas de Santo André (até 1554) e São Paulo, e para a busca por ouro pelo interior do Brasil.

Já em 1699 a Câmara de São Paulo estipulou pedágio para conservar o caminho.

Assim o Caminho do Padre José, foi utilizado até 1792, quando o Governador da Capitania de São Paulo Bernardo Lorena, ordenou a construção de uma via calçada e que suportasse o transporte por burros, já que o comércio era crescente nesta época.

A Calçada do Lorena, como inicialmente foi conhecido, diminuía o tempo de viagem para 2 dias, este caminho passou a se chamar Caminho do Mar.

A Calçada do Lorena, que passava pelo Centro de São Bernardo e tem parte de seu traçado pela atual Avenida. Senador Vergueiro e Estrada das Lágrimas em São Caetano e seguia pela marginal do Tamanduateí até o Pátio do Colégio), em 1844 passou-se a chamar Estrada da Maioridade em homenagem a D. Pedro II.

Foi por este caminho que passava pelo Ipiranga e São Bernardo que D.Pedro I percorreu quando proclamou a independência do Brasil.

Em 1864, o Comendador José Vergueiro, filho do Senador Nicolau Vergueiro (politico e empresário de prestígio da época), em parceria com Dr. Arthur Rudge da Silva Ramos, que era sogro do Prefeito Lauro Gomes de Almeida, captou recursos para reconstrução e remodelação do Caminho do Mar, com intuito de beneficiar o escoamento de produção de suas industrias e fazendas, Além de melhoramentos em pontes, cortes e aterros, a reforma efetuada pelo empresário José Vergueiro, em 1864, fez uma alteração na rota de chegada a São Paulo ao subir pelo espigão da Vila Mariana, evitando então as frequentes cheias do Tamanduateí. A estrada do Vergueiro passou de via comum à estrada de rodagem, no sentido técnico e moderno da expressão. O percurso originalmente começava na época no Largo da Pólvora, passando pelos bairros da Vila Mariana e do Ipiranga, até Santos.

Linearmente, a Estrada do Vergueiro e a Rua Vergueiro, que eram a mesma até meados dos anos 50, é uma das maiores ruas da cidade, pois liga o Alto da Serra do Mar, na região do Riacho Grande, em São Bernardo do Campo ao hoje bairro da Liberdade. Embora o traçado atual da Rua Vergueiro seja similar ao construído na época, apenas o trecho que vai da Liberdade até a rua Conde de Irajá ainda mantém o mesmo nome.

Mas com a Proclamação da República, a Estrada da Maioridade, voltou a se chamar Caminho do Mar, porque com o inicio da República se repudiou tudo aquilo que lembrasse ou homenageasse o Império. Prática comum em nosso país, afugentando o antigo sobre o pretexto no novo.

Sobre a antiga Calçada do Lorena, passa grande parte da Estrada Velha de Santos, (hoje denominada Rodovia Caminho do Mar) que foi completamente remodelada em 1922, como parte dos festejos do centenário da independência do Brasil. – Nesta época que foi construída a Casa de Pedra (chamado de Pouso do Paranapiacaba) que foi concebida para ser mirante do alto da serra – NÃO(!), a casa de Pedra nunca foi ponto de encontro entre D.Pedro I e a Marquesa de Santos, como virou lenda!

Esperamos que tenha gostado deste artigo, pois conhecendo a História entendemos o presente para planejar e mudar o futuro!

Padrão do Lorena - Cruzamento da antiga calçada com a estrada velha

Serra do Mar

Calçada de Lorena

Caminho do Peabiru

Cartão Postal da Serra do Mar em 1930

Os Antigos Caminhos de São Paulo